O número de mulheres no ramo de previdência complementar ou privada ainda não se iguala ao dos homens, mas se mantém próximos aos 40% desde 2015. Segundo Relatório Gerencial de Previdência Complementar do 3º Trimestre 2024, elaborado pelo Departamento do Regime de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social, há uma estabilidade da presença feminina na população de participantes ativos em planos de previdência com 38%.
A previdência complementar, muitas vezes, é vista como um gasto e não um investimento. A realidade no Brasil é que as mulheres ainda ganham 19,4% a menos que os homens. Essa informação consta no 1º Relatório Nacional de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, dos Ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres. Conforme o documento, a diferença ainda varia de acordo com o grupo ocupacional. Em cargos de dirigentes e gerentes, por exemplo, a diferença de remuneração chega a 25,2%.
A Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílio (Pnad) mostra que, no ano de 2023, houve um aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, totalizando cerca de 43,3 milhões de mulheres, 695 mil a mais em relação ao resultado obtido em 2022, de 42,6 milhões. Mas o aumento da ocupação laboral por mulheres não se reflete no segmento de previdência complementar. Com uma renda menor e falta de planejamento e acesso à educação financeira e previdenciária, as mulheres acabam por ter uma presença menor no segmento.
As entidades de previdência complementar como a Funcorsan contam com patrocinadores ou instituidores dos planos de previdência, incentivando funcionários a aderir como forma de política de recursos humanos. Mesmo com esse incentivo, a população masculina ainda é mais alta em termos de adesão.
A participante assistida do Plano BD da Funcorsan, Alba Laitano, conta que a falta de informação pode fazer com que as pessoas não entendam a importância da previdência complementar. “Não tinha a menor ideia do que era uma previdência privada. Com vinte anos de idade, não pensamos no futuro e muito menos em aposentadoria. Tanto que, alguns anos depois, eu tive a desastrada ideia de me desligar da Fundação, retornando anos mais tarde”.
Pensando nas questões que envolvem a presença feminina no segmento, o Ministério da Previdência Social (MPS), em parceria com a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), realizou pesquisa on-line para compreender a dinâmica de inclusão e participação das mulheres nas entidades fechadas e nos planos de benefícios de previdência complementar. A ideia foi buscar subsídios para o planejamento de políticas públicas que atendam às necessidades específicas das mulheres no âmbito da previdência complementar. Além disso, as informações obtidas possibilitam o fomento de ações de educação financeira e previdenciária específicas para a adesão de mulheres aos planos de previdência privada. Os resultados devem sair até o fim do mês de março.
O secretário do Regime Próprio e Complementar, Paulo Roberto Pinto, destaca a importância feminina no segmento. “Cada vez mais, observamos mulheres ocupando cargos nas Entidades Fechadas de Previdência Complementar, exercendo efetivamente a liderança e contribuindo para a gestão das EFPC. Isso é extremamente positivo, pois vai muito além do crescimento numérico e está diretamente relacionado à profissionalização e ao fortalecimento da previdência complementar”, ressalta.
O segmento de previdência complementar segue crescendo e trabalhando para aumentar a presença feminina entre participantes ativos, incentivando e criando políticas inclusivas e educativas para que todos possam usufruir da segurança da previdência complementar tanto na vida laboral, quanto na aposentadoria.
Para Alba, planejar a aposentadoria é um investimento que garante renda e uma melhor qualidade de vida. “O investimento feito, ao longo dos anos de contribuição, hoje retorna mensalmente complementando meu benefício do INSS. Investir na Fundação, foi muito importante, pois consegui planejar minha aposentadoria”, explica.
Fontes de Informação:
Ministério da Previdência Social – Relatório Gerencial de Previdência Complementar
Previc – Superintendência Nacional de Previdência Complementar
Abrapp – Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar
Ministério do Trabalho e emprego e Ministério das Mulheres – Relatório Nacional de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios
Agência Brasil
IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílio (Pnad)
Matéria publicada na edição 94, de março de 2025, do Informativo Fonte